De acordo com moradores ouvidos pelo A Cidade, o bairro inaugurado em agosto do ano passado sofre com o descaso
O Parque Esplanada tem calçadas e ciclovias cobertas por mato, além da falta de uma linha de ônibus. Foto: A Cidade
Da Redação
Inaugurado em agosto de 2025, o bairro Parque Esplanada, na zona Oeste de Votuporanga, tem sido alvo constante de reclamações por parte dos moradores, que denunciam abandono e falta de manutenção por parte da Prefeitura. A principal queixa envolve o crescimento de mato em áreas públicas, comprometendo a mobilidade, o lazer e até a segurança dos residentes.
Localizado às margens da estrada vicinal Herbert Vinícius Mequi, o bairro apresenta problemas logo na entrada. O acesso para pedestres está tomado pelo mato, obrigando moradores a caminharem pela rua. Na Rua 1, primeira via à direita após a entrada, a ciclovia encontra-se praticamente inutilizável devido à vegetação alta. Em outros pontos, como na avenida central, embora ainda transitável, a ciclovia também já apresenta trechos invadidos por plantas.
As calçadas ao longo do bairro seguem o mesmo cenário de descaso. Nas duas praças existentes, a situação não é diferente. Em uma delas, apesar da grama parcialmente cortada, o mato cresce ao redor dos bancos e um dos balanços do parquinho está sem assento. Na outra, ao fundo do bairro, com brinquedos e um campinho de futebol, a manutenção também tem sido feita pelos próprios moradores.
A reportagem apurou que muitos residentes, que se mudaram para o bairro logo após a entrega das chaves, em agosto do ano passado, afirmam que até recentemente nunca haviam presenciado serviços de roçagem realizados pela Prefeitura, através da Secretaria de Serviços Urbanos.
A moradora Gisele Ribeiro, de 28 anos, relatou que a manutenção tem partido da própria comunidade. “Na frente estava cheio de mato e foi o vizinho que deu uma roçadinha. Na calçada da frente é meu marido que joga veneno”, contou. Segundo ela, apenas a entrada do bairro havia recebido algum tipo de limpeza pontual, enquanto áreas mais afastadas, como a praça do campinho, permaneciam esquecidas.
O campo de futebol, inclusive, apresenta problemas estruturais: enquanto a área principal está com a grama aparada, as laterais acumulam um grande desnível de terra, dificultando a prática esportiva. De acordo com moradores, o corte do gramado também foi feito por iniciativa própria.
“O mato estava mais alto que meu carro. Estava parecendo um canavial”, afirmou o morador Guilherme Previato, de 31 anos. Já Kleber de Souza, de 44, reforça o sentimento de abandono: “Eles não vinham desde quando eu mudei em agosto. O bairro estava abandonado pela Prefeitura antes dessa roçagem de hoje”.
A situação, segundo apurado, já havia sido levada diversas vezes ao conhecimento do poder público. Vereadores e moradores relataram reiteradas cobranças diretamente ao secretário de Serviços Urbanos, Fábio Okamoto, mas, até então, sem resposta efetiva.
De forma curiosa, após questionamentos feitos pela reportagem do jornal
A Cidade à Prefeitura sobre a falta de manutenção, a assessoria de comunicação não respondeu às solicitações. No entanto, ainda na tarde do mesmo dia, equipes realizaram serviços de roçagem em parte do bairro.
Moradores e parlamentares ouvidos pela reportagem foram enfáticos ao afirmar que, apesar das inúmeras tentativas de diálogo, não conseguiram fazer com que a Secretaria de Serviços Urbanos atendesse à demanda até então.
Falta de transporte público agrava situação
Além da manutenção precária, outro problema enfrentado pelos moradores do Parque Esplanada é a ausência de transporte público. Mesmo após meses da inauguração, o bairro ainda não conta com linha de ônibus que o conecte ao restante da cidade.
A demanda chegou à Câmara Municipal por meio de uma indicação da vereadora Débora Romani (PL), que solicitou à Prefeitura a viabilização de uma linha de transporte urbano para atender a região.
Segundo a parlamentar, a proposta busca atender uma necessidade básica dos moradores. “A presente propositura visa atender às solicitações dos moradores do Bairro Parque Esplanada, que enfrentam dificuldades de deslocamento em razão da ausência de atendimento por linha de transporte público urbano na localidade, por se tratar de um bairro novo”, destacou.
A vereadora ainda ressaltou que a implementação do serviço contribuiria diretamente para a qualidade de vida da população, facilitando o acesso ao trabalho, escolas, unidades de saúde e outros serviços essenciais.
Vale ressaltar que recentemente a mesma vereadora também cobrou iluminação na via que liga a cidade ao bairro. Na tribuna, Débora chegou a esbravejar que “parece que estão esperando acontecer o pior pra fazer algo”.
Enquanto aguardam respostas mais consistentes do poder público, os moradores seguem tentando, por conta própria, manter o bairro minimamente conservado.