Com mais de 46 mil sessões no último ano, o setor une tecnologia e humanização para preparar pacientes para o transplante e celebrar a vida
Foto: Santa Casa
Cerca de 10% da população mundial convive com doenças renais crônicas e, no Brasil, o acesso ao tratamento ainda é um desafio que custa vidas. Na contramão dessa estatística, a Unidade de Diálise da Santa Casa de Votuporanga, que celebra 36 anos de história em 2026, ergue-se como um verdadeiro porto seguro. Hoje, o setor é sinônimo de sobrevivência e esperança para cerca de 304 pacientes que dependem do serviço.
A trajetória do setor é marcada por um crescimento exponencial. Inaugurada em 1990 com apenas cinco máquinas para atender 12 pessoas, a unidade transformou sua realidade. Atualmente, são 57 equipamentos de ponta operando em três turnos. Apenas entre fevereiro do ano passado e o mesmo mês deste ano, foram realizadas mais de 46 mil sessões de diálise.
A nefrologista e responsável técnica pela unidade, Dra. Aparecida Paula Gondim Visona, acompanha essa jornada desde o primeiro ano de funcionamento. “Nós começamos na década de 90 pequenos em estrutura, mas gigantes na vontade de acolher. Ver nosso avanço tecnológico e estrutural é muito gratificante, mas o nosso maior orgulho é o vínculo que criamos aqui dentro. Não tratamos apenas a doença renal; cuidamos de pessoas, de histórias e de famílias inteiras”, conta a médica.
Esse cuidado integral reflete-se diretamente na jornada rumo à cura. Embora a instituição não realize cirurgias de transplante, a equipe atua como uma ponte vital. Por meio de um preparo rigoroso, que inclui teleconsultas e alinhamento com centros de referência, o hospital garante que os pacientes cheguem prontos e seguros para o tão sonhado “sim”. Os resultados impressionam: após 13 transplantes bem-sucedidos em 2025, quatro pacientes já conquistaram um novo rim apenas em fevereiro deste ano.
“Preparar um paciente para o transplante é caminhar de mãos dadas com ele rumo ao renascimento. É um trabalho minucioso e de muita dedicação”, destaca a Dra. Paula.
Como as sessões exigem quase quatro horas de conexão a uma máquina, o suporte vai muito além do aspecto clínico. Com a ajuda de voluntários que levam música, brincadeiras e sorrisos, a rotina exaustiva ganha leveza, provando que a excelência da Unidade de Diálise reside, acima de tudo, no calor humano.