Emerson Pereira levou na audiência uma mãe que não está encontrando vaga em creche
Andressa Aoki
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A audiência pública da Secretaria de Educação, Cultura e Turismo tinha tudo para ser tranquila. Mas o clima esquentou entre o vereador Emerson Pereira e a secretária titular da pasta, Eliane Baltazar Godoi.
O motivo da discussão foi a quantidade de vagas para as creches. Na primeira sessão do ano, Emerson já tinha comentado sobre o assunto, pedindo providências. Ontem, ele decidiu levar uma mãe com sua nenê de oito meses para pedir pessoalmente vaga para a secretária.
Luciana Santiago acompanhou toda a audiência com a sua filha, Yasmin. Em entrevista ao jornal A Cidade, ela contou que aguarda uma vaga para o berçário há quatro meses, no bairro São João. “Vou começar a trabalhar na quarta-feira e preciso deixar minha filha na creche. Estava desempregada, mas agora arrumei serviço no Departamento de Trânsito”, disse.
Com um discurso voltado para famílias carentes, Emerson afirmou que muitos pais não tem onde deixar seus filhos para trabalhar. “Sei que o processo educacional é difícil, mas gostaria que a senhora [Eliane Godoi] conhecesse a favela”, disparou. Ele também falou sobre a sua infância e sobre a sua dificuldade de estudar. “Muitos irmãos meus pararam os estudos por causa que precisavam trabalhar”, complementou.
A resposta da secretária foi de maneira mais suave. Para Eliane Godoi, ser pobre não é questão de ignorância. “A questão da pobreza em si, que esta mãe (se referindo a Luciana) ou outras que estejam hoje, é questão social, não só de educação”, disse.
A titular da Secretaria de Educação também contou sobre sua vida pessoal e sua infância. “Eu posso falar de pobreza, não nasci com a formação que tenho, com o cargo que tenho. Minha mãe era manicure, e meu pai, alcoólatra. Ele nunca teve responsabilidade no lar. Minha mãe foi referência de honestidade e de força de vontade. Todo dinheiro que ganhava era para sustentar eu e minha irmã. Eu usava roupas que ganhava das clientes até os 13 anos. Ser pobre não é sinônimo de ignorância”, disparou.
Eliane enfatizou que sabe das dificuldades de cada mãe hoje. “Me coloco no lugar delas e aquela época não tinha creche. Hoje temos dificuldade de vagas, mas são poucas. O município está muito além de qualquer outro”, afirmou.
A secretária disse ainda que não nasceu na casa em que mora hoje. “Tudo que tenho foi construído com muito trabalho. As dificuldades existem e eu me coloco no lugar dessa mãe. Estou trabalhando junto com o prefeito Júnior Marão para a solução disso. Se não tivéssemos uma creche, contratado pessoas qualificadas para trabalhar com as crianças, capacitando os educadores, se não estivessemos trabalhando no conceito de desenvolvimento infantil, eu não estaria aqui. A única coisa que eu tenho é o meu trabalho e o meu nome. Tenho o compromisso de trabalhar para minimizar e resolver os problemas”, enfatizou.
Ela ressaltou que “para quem está sem vaga na creche, é difícil entender. A gente está fazendo de tudo, não estamos acomodados”, respondeu.
Enquanto a secretária estava respondendo o pronunciamento de Emerson, o vereador estava no celular. Mesmo com a atitude do membro do Poder Legislativo, Eliane continuou a falar.“Votuporanga é uma cidade em crescimento. Cada dia chega gente nova. A gente precisa de um trabalho que seja parceiro do município”, disse.
Ela contou que também há mães que não estão trabalhando e tem filhos nas creches. “Não querem ter a responsabilidade dos filhos. A gente orienta para as mães criarem o vínculo afetivo. O desenvolvimento humano é responsabilidade de pais, escola e comunidade. A escola tem responsabilidade de um processo educativo, mas em parceria com as famílias”, ressaltou.