Ex-prefeito foi entrevistado ontem pela Cidade FM e também falou sobre eleições, Shopping, Rodeio, Carnaval, Saev, Votuprev e projetos que considera importantes
O ex-prefeito Júnior Marão esteve ontem nos estúdios da Cidade FM Foto: A Cidade
Fábio Ferreira
O ex-prefeito Júnior Marão foi o entrevistado desta quinta-feira (27) no Jornal da Cidade, da rádio
Cidade FM. Durante quase uma hora de conversa com os jornalistas João Carlos Ferreira e Fábio Ferreira, Marão analisou o atual cenário político de Votuporanga, negou a existência de um “racha” com o deputado estadual Carlão Pignatari, explicou seu posicionamento diante da dívida de aproximadamente R$ 48 milhões da Prefeitura com a União e comentou projetos e iniciativas que tiveram início durante seus oito anos à frente do município.
A entrevista também passou por assuntos como o futuro da Votuporanguense, a continuidade do Rodeio e do Carnaval, as obras do Shopping, a situação da Saev Ambiental, o Hospital Materno-Infantil e possíveis novos investimentos estruturantes para Votuporanga.
“Não estou voltando para a política”
Logo no início da entrevista, Júnior Marão afastou qualquer possibilidade de retorno como candidato. Prefeito de Votuporanga entre 2009 e 2016, ele afirmou que continua participando da vida política da cidade como cidadão, apoiando projetos e candidatos que, em sua avaliação, tenham compromisso com o município.
Marão confirmou seu apoio à candidatura de Danilo Campetti a deputado estadual e avaliou que a decisão de Carlão Pignatari de não disputar novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa representa uma perda política importante para Votuporanga.
Segundo ele, a cidade precisa manter representação próxima no Legislativo paulista. Para o ex-prefeito, Campetti pode ocupar parte desse espaço por ter nascido em Votuporanga, manter vínculos com o município e possuir proximidade com o governador Tarcísio de Freitas.
Questionado se seu apoio a Campetti, enquanto Carlão está em outro palanque, representaria um rompimento político, Marão negou.
Ele disse que, caso Carlão fosse candidato à reeleição, seu apoio permaneceria com o deputado, em razão da história construída entre os dois e dos trabalhos desenvolvidos em conjunto ao longo dos últimos anos.
Grupo político e sucessão de 2028
Júnior Marão também comentou a declaração de Carlão Pignatari sobre a formação de um novo grupo político de olho nas eleições municipais de 2028.
Para Marão, o movimento é “legítimo” e faz parte do processo democrático. Ele se declarou favorável à renovação política, mas ressaltou que qualquer grupo que pretenda discutir o futuro da cidade deve colocar os interesses de Votuporanga acima dos projetos pessoais de seus integrantes.
“Se todo mundo conseguir, dentro de um grupo, olhar os interesses da cidade acima de si, eu acho que nós vamos conseguir muitas coisas boas”, afirmou.
Marão relembrou ainda o período em que Votuporanga chwegou a contar simultaneamente com ele na Prefeitura, Carlão Pignatari como deputado estadual e João Dado como deputado federal. Na avaliação do ex-prefeito, a articulação entre lideranças locais e representantes nos governos estadual e federal contribuiu para avanços registrados nas últimas décadas.
Ele citou, entre outros indicadores, o crescimento populacional, a evolução da infraestrutura urbana e o aumento da participação de Votuporanga na arrecadação de ICMS em comparação com municípios da região.
Votuprev e permanência de Adauto Mariola
Ao falar de finanças públicas, Marão apontou a criação do Votuprev, em 2011, como um dos legados de sua administração.
Segundo ele, durante os primeiros cinco anos do instituto, a Prefeitura realizou aportes sem utilizar os recursos para pagamento de benefícios, estratégia que, em sua avaliação, ajudou a estruturar financeiramente o regime próprio de previdência.
Marão também comentou as informações sobre uma possível saída do atual dirigente Adauto Mariola. O ex-prefeito elogiou o trabalho desenvolvido por Mariola e afirmou que, se a decisão dependesse dele, manteria o atual diretor à frente do instituto. “Eu particularmente não o tiraria”, respondeu ao ser questionado pelos apresentadores.
Votuporanguense
A situação da Votuporanguense foi outro ponto de destaque da entrevista. Júnior Marão teve participação direta no processo de retomada da equipe durante sua gestão e afirmou acompanhar com preocupação as dificuldades enfrentadas atualmente pelos investidores responsáveis pelo clube.
Ele destacou especialmente a atuação de Helton, da HSA, e Roberto Beleza, da Converd, que permaneceram à frente do projeto nos últimos anos, e afirmou que ambos estão desgastados depois de um longo período sustentando a estrutura do futebol profissional.
Marão revelou ter participado recentemente de uma reunião com os dirigentes, além de Marcello Stringari e Dimas, para discutir alternativas para garantir a continuidade do clube.
“A cidade toda tem que se sentir responsável por esse time. Nós temos que abraçar essa causa e cada um, dentro das suas possibilidades, fazer o seu papel”, declarou.
O ex-prefeito disse acreditar que ainda é possível manter a Votuporanguense na Série A2 em 2027, mas avaliou que será necessária uma mobilização envolvendo empresários, patrocinadores, torcedores e o próprio poder público.
Rodeio e Carnaval
O futuro dos grandes eventos realizados no Centro de Eventos também entrou na pauta. Marão lembrou que o espaço foi projetado e começou a receber grandes eventos durante sua administração. Posteriormente, a estrutura ganhou cobertura em obra executada pela gestão do prefeito Jorge Seba, com recursos provenientes de emenda de Carlão Pignatari.
Diante das especulações sobre a realização do Rodeio no próximo ano, o ex-prefeito disse acreditar na continuidade da festa.
Ele destacou o trabalho dos organizadores Tércio Miranda e Rosana e afirmou ter participado de conversas recentes relacionadas ao evento. Também defendeu a permanência do Carnaval, especialmente após o retorno do Oba Festival a Votuporanga.
Shopping
Outro empreendimento abordado foi o Shopping Center de Votuporanga, atualmente em construção. Marão relembrou que o projeto começou durante seu governo, quando o município atraiu o empresário Sérgio Gomes e realizou a terraplanagem da área. Posteriormente, segundo ele, problemas econômicos e uma disputa judicial interromperam o avanço do empreendimento durante vários anos.
Com a solução das questões jurídicas e a entrada de novos investidores, as obras foram retomadas. Júnior Marão fez questão de afirmar que não integra o atual grupo de investidores do shopping. Segundo ele, por ter participado como prefeito das intervenções públicas realizadas no local, optou por não ter participação empresarial no empreendimento.
Ele destacou a atuação do empresário Valmir Dornelas no atual projeto e afirmou que mais de 200 trabalhadores estão envolvidos na obra atualmente.
Para Marão, a conclusão do Shopping Center representará uma mudança importante no desenvolvimento econômico e comercial de Votuporanga. “Vai colocar Votuporanga num novo patamar. Vai ser um divisor de águas para a nossa cidade”, declarou.
Saev Ambiental
Durante a entrevista, Júnior Marão também corrigiu uma informação sobre a cobrança da taxa do lixo. O ex-prefeito afirmou que a taxa não foi criada durante sua administração. O que ocorreu em seu governo, segundo ele, foi a transformação da Saev em Saev Ambiental, em 2009, quando a autarquia passou a incorporar atribuições relacionadas à coleta de resíduos, ao aterro sanitário e às políticas ambientais.
Marão defendeu a estrutura da autarquia e relembrou investimentos feitos durante sua administração, entre eles a conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto e a implantação de poços profundos para ampliar a segurança hídrica da cidade.
Ele avaliou que a Saev enfrenta atualmente desafios relacionados principalmente à manutenção de uma rede antiga de abastecimento e saneamento, que exige investimentos permanentes.
Sem planos de disputar novo cargo
Apesar das manifestações de ouvintes durante o programa pedindo seu retorno à vida pública, Júnior Marão voltou a afirmar que não pretende disputar eleições. Ele disse considerar encerrado seu período à frente de cargos públicos e que atualmente concentra sua atuação na iniciativa privada, na Santa Casa de Votuporanga e em iniciativas nas quais acredita poder colaborar com a cidade. Marão também negou que esteja se preparando para assumir a provedoria da Santa Casa após o término do mandato de Amaro Rodero. Ao encerrar a entrevista, afirmou que pretende continuar participando das discussões importantes do município, mas sem necessariamente ocupar uma função pública. “Quero participar, acho que posso ajudar naquilo que for possível à cidade, mas com cargo revestido acho que já dei a minha cota de contribuição”, concluiu
Dívida de R$ 48 milhões
Um dos temas de maior repercussão foi o parcelamento, em até 300 meses, da dívida de aproximadamente R$ 48 milhões da Prefeitura com a União.
Marão rejeitou a ideia de que a dívida possa ser atribuída simplesmente a uma determinada administração. Segundo ele, processos judiciais, precatórios, financiamentos e outras obrigações podem atravessar diferentes mandatos até que sejam definitivamente cobrados ou parcelados.
O ex-prefeito citou a Lei de Responsabilidade Fiscal e argumentou que os gestores municipais não podem simplesmente encerrar seus mandatos deixando despesas sem cobertura para seus sucessores.
“Eu assumi a Prefeitura e paguei mais de R$ 50 milhões entre financiamentos, precatórios e dívidas”, afirmou. Segundo Marão, obrigações financeiras fazem parte da administração pública e o ponto principal é avaliar se elas comprometem ou não a capacidade financeira do município.
Durante a entrevista, ele também defendeu as explicações dadas anteriormente pelo secretário municipal da Fazenda, Deosdete Vechiato, e pelo procurador Douglas Lisboa à Rádio Cidade. Marão destacou a atuação técnica dos dois servidores e afirmou que Votuporanga historicamente mantém uma política conservadora no controle das contas públicas.
SESC e novas ligações viárias como próximos avanços de Votuporanga
Ao ser questionado sobre qual deveria ser a próxima grande conquista de Votuporanga, o ex-prefeito Júnior Marão destacou a possibilidade de implantação de uma unidade do SESC e a necessidade de novos investimentos em mobilidade urbana. Para ele, os projetos ajudariam a consolidar o município como referência regional e a acompanhar o crescimento de novas áreas da cidade.
Marão classificou o Hospital Materno-Infantil como uma das principais conquistas de Votuporanga nas últimas três décadas. Segundo o ex-prefeito, a futura estrutura deverá contar com 104 leitos e ampliar significativamente a capacidade hospitalar do município, especialmente no atendimento neonatal e pediátrico.
Olhando para os próximos anos, Marão apontou a instalação de uma unidade do SESC como uma conquista estratégica. Segundo ele, além do investimento de grande porte, estimado em aproximadamente R$ 200 milhões, o equipamento teria impacto nas áreas de cultura, esporte e lazer e contribuiria para ampliar a importância regional de Votuporanga.
O ex-prefeito ressaltou, porém, que ainda não existe confirmação sobre a implantação. Ele afirmou que já participou, ao lado do prefeito Jorge Seba e de representantes locais, de tratativas em São Paulo sobre o assunto. “Não tem nada garantido, mas existe uma possibilidade real”, afirmou.
Na área de infraestrutura, Marão defendeu como prioridade a construção de uma nova ligação na região da vicinal de Valentim Gentil, conectando o entorno da antiga “subida da morte” às avenidas Fortunato Targino Granja e José Silva Melo.
Também foram citadas como necessárias a marginal ligando Votuporanga a Simonsen, que segundo ele, o projeto de um pontilhão com cerca de 140 metros de extensão chegou a ser elaborado durante sua administração, mas não prosperou. Marão citou ainda uma nova passagem na continuidade da avenida Jerônimo Figueira da Costa, em direção ao bairro Cidade Jardim. Para Marão, essas 3 intervenções são importantes diante da expansão imobiliária e do aumento do fluxo de veículos em regiões como Pacaembu e Zona Norte.
Na avaliação do ex-prefeito, ampliar as alternativas de acesso entre os bairros e o centro será fundamental para que Votuporanga continue crescendo de maneira ordenada e sem transformar o aumento da população e dos empreendimentos em novos gargalos de trânsito.