Em tempos em que a palavra “gestão” costuma aparecer esvaziada, reduzida a planilhas, discursos técnicos ou frases de efeito, vale observar com mais atenção experiências em que administrar significa, antes de tudo, cuidar. Cuidar de espaços, de pessoas, de histórias e de futuros possíveis. É a partir dessa perspectiva que nasce este texto: como um exercício de memória, mas também como um testemunho sobre liderança, pertencimento e responsabilidade em um lugar que faz parte da vida de gerações de votuporanguenses.
Há textos que nascem da apuração e outros que nascem do encontro. Este é dos dois — mas começa, sobretudo, pela memória. Falar de gestão, liderança e futuro, neste caso, exige antes falar de vínculo, de tempo compartilhado e de um lugar que não é apenas espaço físico, mas território afetivo. Porque quando a história pessoal se cruza com a história coletiva, o que se escreve já não é só opinião: é testemunho.
É nesse cruzamento entre memória e presente que entra Igor Billalba Carvalho. Não por cargo ou currículo, mas por um laço que o tempo não desfez. Um amigo de infância, alguém que cresceu comigo entre as piscinas do Votuporanga Clube, quando a vida cabia em tardes longas e verões intermináveis. Sentados à mesa do clube, conversamos sobre o presente, rimos do passado, falamos de negócios, de família, dos nossos pais e nos emocionamos. Foi uma manhã de memória viva, dessas que não se esquecem.
Há entrevistas que informam. Outras que registram. E há aquelas raras que revelam. Revelam pessoas, trajetórias, afetos e escolhas. A conversa com Igor Billalba Carvalho pertence a essa última categoria. Não foi apenas um balanço administrativo do Votuporanga Clube ou uma conversa sobre negócios. Foi um mergulho na alma de quem gere, cuida, insiste e constrói todos os dias.
Entrei no clube no final de 2025 com a memória fresca da visita feita um ano antes. Saí espantada, no melhor sentido. Onde havia lacunas, hoje há vida. Pessoas curtindo as férias, crianças correndo, pais conversando, adolescentes jogando, famílias ocupando espaços de pertencimento.
Nada ali surgiu por acaso. Igor não romantiza a gestão. Ele fala de um começo no escuro, sem manual, sem mapa, sem garantias. Mas com algo que nenhum curso ensina: o vínculo emocional com o lugar. Igor nasceu no clube, cresceu ali. Talvez por isso o trate como ele realmente é: um espaço vivo, feito de gente, que exige cuidado diário, presença constante, decisão rápida e responsabilidade contínua.
E presença, aqui, não é força de expressão. Igor está ali todos os dias. Conhece os motores da piscina, os gargalos elétricos, o custo de cada mesa recém-chegada à lanchonete, cada ombrelone, cada metro de fio. Administração, neste caso, não é discurso. É cuidado e conhecimento.
Em apenas doze meses, a lista de feitos impressiona. Parquinho infantil na areia, parquinho aquático, lanchonete assumida e reestruturada, câmara fria, mesas novas, gramado do society trocado, iluminação das quadras renovada, motores da piscina ajustados, academia totalmente modernizada e uma piscina reativada após 25 anos. E isso sem falar do que quase ninguém vê, mas que sustenta tudo: auditoria interna, reestruturação administrativa, controle real de custos e diagnóstico completo do clube.
Auditoria não aparece em foto nem rende aplauso imediato. Mas é ela que garante que o clube não viva de improviso, e sim de planejamento. Igor entende isso com a maturidade de quem atua em ambientes complexos.
Fora do clube, Igor Billalba Carvalho é um advogado e empresário de trajetória sólida. Seu escritório atua em seis estados brasileiros e avança para um novo passo internacional, em Assunção, no Paraguai. Não por acaso, mas por leitura estratégica do Mercosul e das oportunidades empresariais que se desenham no continente. Ainda assim, ele não se perde na grandiosidade. Quando fala da carreira, fala da equipe. Quando fala de sucesso, fala das pessoas. Quando fala do futuro, fala da família.
É impossível não se emocionar quando ele menciona o pai, o tio Acácio. A voz muda. O tempo desacelera. O advogado bem-sucedido dá lugar ao filho que aprendeu, em casa, que prosperar não é acumular, mas replicar o bem. Atuante no Centro Espírita Emmanuel, o pai ajudava silenciosamente quem precisava. Igor não tenta ser maior que essa memória. Pelo contrário, diz que se for um centésimo do que o pai foi, já estará satisfeito. É aí que mora sua grandeza.
A família é eixo e pilar. Igor é pai dedicado, fala das três filhas com ternura, da mãe com respeito, da esposa como companheira de vida e da responsabilidade de gerar trabalho e estabilidade para dezenas de famílias que dependem de seus empreendimentos. Liderar, para ele, é carregar gente junto.
No clube, essa visão se traduz em decisões responsáveis. Nada de endividamento. Nenhum empréstimo. Mais de um milhão de reais investidos com recursos próprios. Campanhas de novos sócios feitas com parcimônia, porque crescimento sem estrutura é ilusão. O Votuporanga Clube não quer ser gigante. Quer ser bom, familiar e seguro.
O futuro já está em curso. Revitalização do salão social, nova cozinha, novos banheiros, novo piso, aquecimento da piscina infantil, quiosques estruturados e áreas antes abandonadas devolvidas à vida. Tudo pensado para 2026 como projeto, não como promessa.
Ao final da entrevista, o que fica não é apenas a lista de obras. É a sensação de que o Votuporanga Clube tem alma. E almas não se constroem apenas com cimento, mas com presença, escuta, responsabilidade e amor pelo que se faz.
Vida longa ao nosso Votuporanga Clube e a todos que o habitam com cuidado, presença e afeto. Que ele siga sendo cenário de encontros, guardião de histórias e abrigo de memórias que não se perdem; apenas amadurecem com o tempo.