Recusa de moradores e imóveis fechados dificultam o trabalho das equipes no combate ao Aedes aegypti e na interrupção da transmissão de doenças
Recusa de moradores e imóveis fechados dificultam o trabalho das equipes Foto: Prefeitura de Votuporanga
O trabalho das equipes da Secretaria da Saúde para controlar a transmissão de arboviroses no município encontra um obstáculo dentro dos próprios imóveis: portas fechadas e a recusa de moradores em permitir a entrada dos profissionais. Essas situações dificultam a realização das ações de bloqueio e pulverização em áreas com registros de casos confirmados ou suspeitos de doenças como dengue, zika e chikungunya.
De janeiro a 19 de agosto, 67,54% do total de imóveis previstos para as ações de controle vetorial no município estavam fechados ou tiveram a entrada das equipes recusada pelos moradores. O percentual representa um dos principais desafios para a execução das medidas de controle e limita o alcance das ações realizadas pela Vigilância Ambiental.
A Vigilância Ambiental segue protocolos e critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para definir as áreas que receberão as medidas de controle. Antes da aplicação do inseticida, as equipes realizam o bloqueio, que inclui o manejo ambiental, com ações voltadas à eliminação de focos e criadouros do mosquito. A medida busca reduzir as condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti e interromper a transmissão nas áreas identificadas. A pulverização complementa esse trabalho e é realizada quando indicada.
Para ampliar o alcance das atividades, as equipes retornam aos bairros em horários alternativos e também aos finais de semana, buscando alcançar moradores que não estão em casa durante os dias úteis. Mesmo com essas estratégias, imóveis fechados, desabitados ou com recusa de acesso continuam dificultando a atuação dos profissionais.
Outro ponto de atenção é a autorização para aplicação do inseticida somente nas áreas externas dos imóveis. Segundo a Secretaria da Saúde, essa medida não garante a eficiência necessária para o controle do mosquito, já que o Aedes aegypti e o Aedes albopictus possuem hábitos que fazem com que também permaneçam no interior das residências.
A orientação é para que os moradores eliminem possíveis criadouros do mosquito e colaborem com as equipes durante as visitas. A abertura dos imóveis para as atividades programadas é essencial para ampliar a efetividade das medidas de controle e reduzir os riscos de transmissão das arboviroses no município.
A secretária da Saúde, Ivonete Félix, destaca que a participação da população é fundamental para o sucesso das estratégias desenvolvidas pelo município.
“Nosso trabalho de prevenção e combate às arboviroses depende de uma atuação conjunta. As equipes percorrem os bairros, realizam o bloqueio dos criadouros e fazem a pulverização quando indicada, seguindo todos os protocolos técnicos”, ressalta.
“Mas é fundamental que a população receba os profissionais e permita a realização completa do trabalho. A colaboração dos moradores é parte fundamental dessa estratégia. Permitir a entrada das equipes e manter os imóveis livres de possíveis criadouros contribui para ampliar a efetividade das medidas de controle e reduzir os riscos de transmissão de arboviroses no município”, conclui.