Jociano Garofolo
Uma ação conjunta entre a Polícia Militar e a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Votuporanga prendeu no início da tarde de ontem, dois indivíduos que confessaram o assassinato do jovem Marcos Gustavo da Silva Costa, 21 anos, o transexual conhecido como “Vitória”. Os suspeitos foram presos após terem o automóvel, um Ford Del Rey, reconhecido pelas imagens do sistema de segurança do Ecotudo Norte, localizado ao lado do local onde o crime ocorreu.
Na delegacia, ambos assumiram a autoria do crime e justificaram a brutalidade por um desacordo financeiro, na hora de combinar o valor do programa e por raiva, já que, segundo eles, Vitória teria "zombado" deles. As investigações estão em andamento na DIG, com trabalhos comandados pelo delegado João Donizete Rossini.
Adenildo Torres da Silva, 26 anos, pedreiro e o enteado dele, Regivan Francisco dos Santos, 20 anos, foram presos no início da tarde em uma casa na rua Rio Solimões, no bairro Pró-povo. A Polícia Militar até eles após receber a informação de que um carro com as mesmas características do utilizado pelos assassinos estaria na garagem da residência.
No local, com apoio dos investigadores da DIG, os policiais fizeram a abordagem na residência. Na casa, foi localizado um telefone celular pertencente à vítima. Questionados, ele assumiram a autoria do assassinato e deram detalhes sobre o crime brutal.
Desacordo
Em depoimento, enteado e padrasto afirmaram que são do nordeste e que moram em Votuporanga há aproximadamente um ano e meio. Adenildo contou que eles estavam em um baile forró quando decidiram ir até o ponto de prostituição localizado na avenida Nasser Marão e lá combinaram em fazer um programa com Vitória. Ainda segundo a versão do suspeito, trajeto até o local do crime, houve desavença entre o valor pedido pelo transexual para a realização do programa, R$100, e valor oferecido pelos dois. R$40..
O suspeito alegou também que no auge da discussão, a vítima teria tirado de sua bolsa um canivete e Regivan, que estava no banco traseiro do carro, teria dado uma “gravata” na vítima que, desacordada foi arrancada do veículo e jogada no local do crime. Adenildo teria cometido o crime com o próprio canivete da vítima.
Crueldade e morte
Adenildo disse que primeiro golpeou o pescoço do transexual e, em seguida, aplicou três facadas na coxa esquerda, duas no peito, fez um corte no pênis e arrancou a orelha esquerda da vítima, jogando-a em um terreno baldio próximo ao local do crime. Eles disseram também que estavam totalmente embriagados e que após cometerem o crime, retornaram às suas casas, no bairro Pró-Povo. Disseram ainda que o crime não teve outra motivação, ou seja, por roubo ou homofóbico e apenas foi cometido em razão do desacordo no valor do programa.
Inquérito
Em entrevista coletiva, o delegado João Donizete Rossini contou que não descarta a hipótese de mais uma pessoa ter participado do crime. Ontem, foram tomados depoimentos dos suspeitos e também foi requisitado mandado de prisão preventiva dos dois. O automóvel Del Rey foi apreendido e passará por perícia.