No dia 25 de maio, comemora-se o dia do trabalhador rural.
Não sei se podemos assim dizer, pois comemorar é algo que o trabalhador rural normalmente não faz. Nos últimos anos o trabalho rural é tido como um trabalho menor, e os órgãos governamentais quase nada fazem pela classe que é a mola mestra para o desenvolvimento do Brasil.
As leis são feitas por aqueles que não têm conhecimento de causa, e criadas com o intuito de beneficiar quem atravessa a produção. O trabalhador rural não tem esperança em sua função. A representatividade é mínima. Os sindicatos da categoria são geridos por pessoas ligadas a outras classes, enquanto o trabalhador pena para ganhar uns míseros trocados, e depois se aposentar com um salário mínimo, sendo ainda culpado pela crise no sistema previdenciário do país.
O boia fria trabalha em condições sub-humanas, e muitos morrem exercendo sua profissão, e continuamos com o discurso demagógico e intragável dos governantes. O regime de escravidão ainda existe nas regiões mais remotas do Brasil, e ocorre em propriedades de grandes nomes da política nacional, e nada é feito para acabar com essa condição.
Enquanto muitas classes sociais trabalham menos de quarenta horas semanais, o trabalhador rural sai de madrugada e chega à noite para se manter.
Caminhamos para 2050, com a necessidade de dobrar a produção, para alimentar a população mundial. O discurso da ONU nos concede a oportunidade de incrementar a produção mediante a agroecologia, porém ela só surtirá efeito com um engajamento fundamentado. O comprometimento de todos é imprescindível para o futuro da humanidade. O Brasil é portador de condições de produção em alta escala, porém é carente de tecnologia, de política de preços, de leis ambientais, de reforma agrária descente, de linhas de financiamento funcionais, de pessoas capazes de administrar o agronegócio. Estamos cheios de engenheiros agrônomos que nunca trabalharam na roça, e não sabem se quer como encabar uma enxada, e muito menos capacitados para gerenciar pessoas que trazem em seus corpos as marcas de uma vida sofrida.
As grandes empresas de produção de defensivos contratam jovens bitolados em metas, que não estão preocupados com a cadeia produtiva.
Caro leitor: da próxima vez que você ver um lavrador, pare um pouquinho e descubra a verdadeira enciclopédia que ele é. Muito provavelmente você terá a oportunidade de ver a vida com outros olhos. Aproveito a oportunidade para homenagear meu velho pai, trabalhador rural, que no alto dos seus 86 anos, pode me dar o mínimo de condição de crescimento profissional.
PS: eu sei encabar uma enxada.
Antônio Lima Braga Júnior - toninho.braga@hotmail.com - Votuporanga